O caso de Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, ganhou repercussão nacional e internacional após a jovem ser encontrada presa e acorrentada a uma cama, na sexta-feira (21), em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal.
Emiliane estava desaparecida desde a segunda-feira (17), quando foi vista por uma câmera de segurança saindo de uma clínica. Cinco dias depois, policiais localizaram a jovem em uma casa no Setor Jardim América III.
Segundo a Polícia Militar, Emiliane estava em um quarto com braços, pernas e pescoço presos por cordas, algemas e uma corrente. Ela também usava uma máscara no rosto e apresentava dificuldade para respirar.
O resgate foi registrado em vídeo e as imagens mostram os policiais entrando no imóvel e encontrando a jovem sobre a cama, amarrada e chorando. O caso chegou a ser noticiado internacionalmente.

O ex-marido da jovem, Ailton Rodrigues Mendes, foi preso em flagrante. Segundo as informações divulgadas pela polícia, ele confessou ter dopado Emiliane com medicamentos antidepressivos e levado a jovem para o imóvel após um encontro para tratar da pensão dos filhos.
Os dois foram casados por seis anos e se separaram em dezembro de 2025. Uma pistola calibre 9 mm também foi apreendida na residência.
Após ser resgatada, Emiliane relatou que teria sido dopada e levada para o imóvel. Ela também afirmou que, durante o período em que ficou presa, teria sido atacada com um pano molhado com uma substância.
A jovem ainda relatou episódios anteriores de violência que atribui ao ex-marido. Segundo Emiliane, Ailton teria estourado bombas em sua casa, quebrado uma câmera de segurança e colocado soda cáustica na caixa d'água.
Emiliane já havia procurado a Justiça em busca de medidas de proteção.
O Tribunal de Justiça de Goiás confirmou que a jovem apresentou um pedido de medida protetiva em março deste ano, mas a solicitação foi negada. Segundo o tribunal, a decisão acompanhou manifestação do Ministério Público, que apontou não haver elementos suficientes para demonstrar uma situação de risco naquele momento.
O TJ-GO informou ainda que um novo pedido poderia ser apresentado caso surgissem fatos concretos que demonstrassem uma situação de perigo.
A delegada da Mulher de Águas Lindas de Goiás contestou a afirmação de que a Polícia Civil não teria prestado apoio à jovem. Segundo ela, Emiliane teve uma medida protetiva concedida em 2020, mas a decisão foi posteriormente derrubada pela Justiça.
Durante a operação, os policiais encontraram uma carta escrita em uma folha de caderno e assinada por Tamara, endereçada à família.
O documento mencionava bens da jovem, incluindo um carro e a escritura de uma casa registrada em seu nome. A polícia trabalha com a hipótese de que Emiliane tenha sido obrigada a escrever e assinar o documento.
Segundo o major Jorge Paiva, da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) de Águas Lindas de Goiás, a análise inicial indicava que a jovem teria sido coagida a produzir o texto.
A defesa afirma que o inquérito policial ainda está em andamento e considera prematura qualquer conclusão sobre o mérito do caso.
Os advogados também afirmam que nem tudo o que vem sendo divulgado necessariamente corresponde à realidade dos fatos. A defesa diz acompanhar as diligências e confiar que a verdade será esclarecida, com respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.
Após o resgate, Emiliane afirmou que teme pela própria segurança caso Ailton deixe a prisão.
A declaração foi dada após os cinco dias em que permaneceu em cativeiro e diante dos relatos de episódios anteriores de violência que ela atribui ao ex-marido.
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