Um estudo realizado com mais de 2.800 pessoas com idade média de 74 anos aponta que um tipo específico de treinamento cognitivo pode reduzir em cerca de 25% o risco de demência em idosos. A pesquisa mostrou que o benefício não esteve relacionado a exercícios de memória ou raciocínio, mas a um jogo computadorizado voltado para velocidade de processamento e atenção dividida.
O treinamento consiste em identificar rapidamente imagens apresentadas na tela enquanto o participante também localiza um sinal de trânsito exibido na periferia da imagem. À medida que o desempenho melhora, as figuras permanecem visíveis por menos tempo, aumentando gradativamente o nível de dificuldade.
Segundo Marilyn Albert, professora de Neurologia da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins e uma das autoras do estudo, esse tipo de atividade exige que o cérebro aprenda a dividir a atenção sem recorrer a estratégias conscientes, estimulando diferentes áreas cerebrais de forma simultânea.
A pesquisa faz parte do estudo ACTIVE (Advanced Cognitive Training for Independent and Vital Elderly), iniciado em 1998, que avaliou três modalidades de treinamento cognitivo em idosos que viviam de forma independente e não apresentavam sinais de demência no início do acompanhamento.
Os participantes foram divididos em quatro grupos: um recebeu treinamento de memória, outro focado em raciocínio, um terceiro realizou exercícios de velocidade de processamento e atenção dividida, enquanto o quarto grupo não recebeu nenhum treinamento.

Após um programa inicial de cinco semanas e sessões de reforço realizadas ao longo de três anos, os pesquisadores acompanharam os voluntários por duas décadas. A análise dos registros do Medicare mostrou que apenas os participantes que realizaram o treinamento de velocidade e também participaram das sessões de reforço apresentaram redução de aproximadamente 25% no risco de diagnóstico de demência em comparação com o grupo de controle.
Apesar dos resultados, os pesquisadores destacam que o estudo não comprova de forma definitiva que o treinamento previne a demência. Especialistas ressaltam que os diagnósticos foram identificados por registros de saúde e não por avaliações clínicas específicas, sendo necessárias novas pesquisas para confirmar a relação entre o treinamento cognitivo e a prevenção da doença.
Os cientistas acreditam que o benefício pode estar relacionado ao fortalecimento da conectividade entre os neurônios, ao aumento da plasticidade cerebral e à chamada reserva cognitiva, capacidade do cérebro de manter seu funcionamento mesmo diante do envelhecimento ou de alterações neurológicas.
Outro possível fator é a preservação da acetilcolina, neurotransmissor importante para a atenção, a memória e o estado de alerta.
Especialistas reforçam, no entanto, que o treinamento cognitivo representa apenas uma das estratégias para preservar a saúde cerebral. Hábitos como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono de qualidade, controle da pressão arterial, redução do estresse e manutenção de relações sociais também são considerados fundamentais para diminuir o risco de doenças neurodegenerativas.
CLIMA Frente fria e ciclone extratropical devem provocar ventos de até 90 km/h no Sul do país
ANIMAIS Cachorro canhoto ou destro? Ciência mostra como identificar a pata dominante dos cães
MEIO AMBIENTE Grous-coroados resgatados do tráfico internacional ganham novo abrigo no Rio Grande do Sul
SAÚDE Entenda o que acontece no cérebro ao aprender uma nova habilidade
CIDADES Vendaval deixa mais de 454 mil imóveis sem energia elétrica no Rio de Janeiro Mín. 13° Máx. 27°
Mín. 15° Máx. 29°
Parcialmente nubladoMín. 16° Máx. 31°
Chuvas esparsas