O grupo islamista Hamas anunciou nesta sexta-feira (31) que aceitou um acordo destinado a encerrar a guerra na Faixa de Gaza. Segundo o movimento, a proposta prevê o desarmamento da organização e a retirada gradual das tropas israelenses do território palestino.
Até o momento, o governo de Israel não se manifestou oficialmente sobre o entendimento. O acordo foi anunciado na quinta-feira (30) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que classificou a proposta como um "acordo histórico" e um passo em direção a uma "paz e segurança duradouras".
O desarmamento do Hamas, grupo que controla a Faixa de Gaza desde 2007, era considerado um dos principais pontos de dificuldade nas negociações para o encerramento do conflito.
Uma fonte política israelense afirmou à agência AFP que a proposta ainda não atende completamente às exigências do país para uma desmilitarização total de Gaza. Segundo a fonte, o tema também não teria sido discutido de forma detalhada durante o encontro entre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e Trump, realizado nesta semana na Casa Branca.
De acordo com o presidente americano, o desarmamento seria uma etapa fundamental para a criação de uma nova administração palestina no território.
Hamas confirma entendimento
Duas fontes de alto escalão do Hamas confirmaram à AFP que houve um acordo envolvendo o desarmamento do grupo e a retirada das forças israelenses de Gaza. As fontes afirmaram esperar que mediadores internacionais e o chamado Conselho da Paz acompanhem o cumprimento dos compromissos.
O negociador do Hamas, Ghazi Hamad, afirmou que o grupo estaria fazendo concessões para evitar mais mortes e deslocamentos da população palestina.
Segundo Hamad, Israel não participaria diretamente do processo de desarmamento, que ficaria sob responsabilidade do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG).
Uma fonte diplomática informou que as armas seriam entregues ao órgão formado por tecnocratas palestinos, que administraria a vida cotidiana da região durante um período de transição.
Próximas etapas do acordo
As negociações para implementar uma nova fase do cessar-fogo entre Israel e Hamas acontecem há semanas no Egito, com o objetivo de encerrar definitivamente o conflito iniciado em 7 de outubro de 2023, após um ataque do Hamas contra Israel.
Segundo dados oficiais israelenses, o ataque deixou 1.221 mortos e 251 pessoas sequestradas. A ofensiva militar israelense em Gaza, por sua vez, deixou mais de 73 mil mortos, segundo informações do Ministério da Saúde administrado pelo Hamas.
Mesmo com a trégua, a violência continua na região. Na quinta-feira (30), bombardeios israelenses deixaram ao menos quatro mortos, incluindo duas crianças, segundo autoridades de saúde locais.
O Conselho da Paz informou que o Hamas aceitou um plano detalhado para a implementação das próximas etapas do cessar-fogo. A organização afirmou que o foco agora está na execução do acordo e que o NCAG deverá iniciar uma transição gradual até assumir a administração do território.
Trump afirmou que, após o desarmamento do Hamas, as forças israelenses deixariam Gaza e uma Força Internacional de Estabilização trabalharia com uma nova polícia palestina para assumir a segurança da região.
A força internacional ainda está em processo de formação e deve reunir tropas de diferentes países sob coordenação do Conselho da Paz.
Israel mantém controle sobre mais de 60% do território de Gaza e exigia o desarmamento completo do Hamas e de outros grupos palestinos antes de avançar nas negociações.
No início de julho, o Hamas anunciou a dissolução do comitê responsável pela administração civil da Faixa de Gaza desde 2007 e declarou intenção de transferir essas funções ao NCAG.