Segunda, 24 de Agosto de 2026 22:27
(31) 9 9935-7849
Internacional INTERNACIONAL

Espanha envia Exército para Ceuta após chegada em massa de migrantes do Marrocos

Centenas de pessoas cruzaram a fronteira nos últimos dias; governo espanhol afirma enfrentar uma emergência humanitária e reforça segurança na região.

31/07/2026 11h14
Por: Redação Fonte: Agências Internacionais
Espanha envia Exército para Ceuta após chegada em massa de migrantes do Marrocos

A Espanha anunciou o envio do Exército para o enclave de Ceuta, no norte da África, após uma nova onda de chegada de migrantes vindos do Marrocos. Centenas de pessoas atravessaram a fronteira nesta quinta-feira (30), somando-se às cerca de 1.500 que já haviam chegado nos últimos dias.

O governo espanhol classificou a situação como uma "emergência humanitária" e informou que ao menos nove migrantes morreram durante tentativas de travessia a nado pelo mar.

Ceuta e Melilla são os únicos territórios com fronteiras terrestres da União Europeia com a África. Diante do aumento das entradas, o Ministério do Interior da Espanha anunciou que as Forças Armadas irão reforçar a atuação da Guarda Civil para manter a segurança na cidade.

Além do envio de militares, o governo informou que ampliará o efetivo da Guarda Civil com mais 70 agentes, que se juntarão aos 80 já presentes na região. Também serão deslocadas equipes de mergulhadores e embarcações do serviço marítimo.

Segundo imagens divulgadas pela televisão pública espanhola, agentes de segurança monitoravam a entrada dos migrantes nas proximidades de um posto fronteiriço ao sul de Ceuta. O episódio é considerado a maior chegada de pessoas ao território desde maio de 2021, quando mais de 10 mil migrantes entraram na cidade em apenas dois dias.

Muitos dos migrantes chegaram comemorando a entrada em território espanhol. Parte deles atravessou nadando pelo mar até o pequeno território, que possui cerca de 18,5 quilômetros quadrados, enquanto outros tentaram ultrapassar a cerca de fronteira.

Governo anuncia devoluções ao Marrocos

O Ministério do Interior espanhol informou que chegou a um acordo com o Marrocos para adotar medidas e devolver "o mais rápido possível" todas as pessoas que entraram ilegalmente em Ceuta.

O prefeito-presidente da cidade, Juan Vivas, afirmou que a situação representa uma grave crise humanitária e social. Segundo ele, os centros de acolhimento estão lotados devido ao aumento das chegadas.

Centenas de pessoas, incluindo menores de idade, se concentraram na fronteira entre a cidade marroquina de Fnideq (Castillejos) e Ceuta, tentando atravessar por meio do mar ou pela cerca fronteiriça.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou em publicação na rede X que o governo está mobilizando recursos e trabalhando com autoridades marroquinas e internacionais para restabelecer a normalidade na região.

Tensão diplomática

O ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska, viajará a Ceuta para acompanhar a situação. O governo destacou a cooperação com o Marrocos e afirmou que redes de tráfico de pessoas estão entre os responsáveis pelas entradas em massa.

O episódio também reacende lembranças da crise migratória de 2021, quando milhares de pessoas chegaram a Ceuta após uma flexibilização dos controles fronteiriços por parte do Marrocos durante uma disputa diplomática com a Espanha.

Na época, a tensão aumentou após a decisão de Madri de receber para tratamento médico o líder da Frente Polisário, movimento apoiado pela Argélia e que defende a independência do Saara Ocidental.

A crise diplomática foi reduzida em 2022, quando a Espanha mudou sua posição sobre o território e passou a apoiar um plano de autonomia proposto pelo Marrocos.

Apesar da situação em Ceuta, a principal rota de entrada de migrantes irregulares na Espanha continua sendo o arquipélago das Ilhas Canárias, localizado no Oceano Atlântico, próximo à costa africana.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários