O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Partido Republicano enfrentam um cenário desfavorável a pouco menos de um mês das eleições de meio de mandato no país, conhecidas como “midterms”. O pleito, marcado para novembro, renovará os 435 assentos da Câmara de Representantes e um terço das 100 cadeiras do Senado.
Segundo a empresa de projeções eleitorais Decision Desk HQ, os democratas têm atualmente 75% de chances de conquistar o controle da Câmara. A projeção aponta uma possível maioria de 234 cadeiras contra 201 dos republicanos.
No Senado, a disputa também aparece equilibrada. As projeções indicam uma possível vantagem democrata de 51 a 49 cadeiras.
Diante do cenário de enfraquecimento republicano, alguns candidatos do partido começaram a se distanciar de Trump, especialmente em relação à guerra no Irã.
Mike Rogers, candidato republicano ao Senado por Michigan, e Ashley Hinson, candidata por Iowa, passaram a defender neste mês um encerramento rápido do conflito. Anteriormente, os dois haviam apoiado a condução da guerra pelo governo Trump.
Em um anúncio de campanha, Rogers afirmou que o confronto no Irã precisa terminar rapidamente. Hinson também passou a defender o fim da guerra e relacionou o conflito ao impacto do aumento dos preços dos combustíveis sobre seus eleitores.
Uma eventual derrota republicana nas eleições poderia dificultar a implementação da agenda política de Trump. Embora o presidente afirme publicamente que as eleições de meio de mandato não influenciam suas decisões sobre o Irã e defenda que o conflito “valeu os custos”, informações divulgadas pelo jornal Washington Post apontam que Trump teria reconhecido, em conversas privadas com assessores, que suas decisões sobre a guerra contribuíram para piorar o cenário eleitoral do partido.
Segundo o jornal, quatro pessoas familiarizadas com essas conversas afirmaram que o presidente passou a acompanhar com mais atenção as pesquisas desfavoráveis e demonstrou maior preocupação em ajudar os republicanos a reduzir possíveis perdas em novembro.
TRUMP PROMETE US$ 5 MIL CASO REPUBLICANOS VENÇAM AS 'MIDTERMS'
Trump também voltou a prometer um pagamento de US$ 5 mil, cerca de R$ 26 mil, para cada cidadão norte-americano adulto caso os republicanos vençam as eleições legislativas de novembro e mantenham o controle do Congresso.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente afirmou estar “ansioso para assinar esses cheques”. Segundo Trump, os republicanos poderiam realizar o pagamento porque o governo estaria arrecadando grandes quantias por meio das tarifas e registrando um desempenho econômico recorde.
A promessa, chamada de “dividendos Trump”, foi apresentada pela primeira vez pelo presidente em setembro, durante uma convenção republicana realizada em Dallas.
Desde então, surgiram questionamentos sobre a legalidade da medida, o custo e a origem dos recursos. As leis federais dos Estados Unidos proíbem gastos destinados a influenciar o voto.
Após a promessa, democratas criticaram Trump e classificaram a proposta como imprudente. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, possível candidato à Presidência em 2028, também condenou a iniciativa.
O deputado democrata Jamie Raskin, de Maryland, afirmou que a promessa representa mais uma manobra de uma presidência que classificou como “incrivelmente imprudente e disfuncional”.
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