O diretor do Museu do Louvre, em Paris, Christophe Leribault, alertou que a instituição poderá ter de fechar as portas ao público no futuro caso não receba um amplo plano de reforma e modernização. A declaração foi feita nesta quarta-feira (13), poucos dias antes de o roubo milionário de joias ocorrido no museu completar um ano. Para o dirigente, a renovação da estrutura é fundamental para garantir a segurança dos visitantes e das obras de arte, além de preservar a importância internacional de um dos espaços culturais mais conhecidos do mundo.
Em entrevista ao jornal francês Le Figaro, Leribault afirmou que o próximo governo da França, que será definido após as eleições presidenciais de 2027, precisará considerar a modernização do museu como uma prioridade. Segundo ele, sem investimentos significativos, o Louvre poderá perder prestígio rapidamente e, a longo prazo, ser obrigado a interromper suas atividades abertas ao público.
O alerta ocorre em meio às preocupações com a segurança e as condições estruturais do edifício histórico. Em 19 de outubro de 2025, um grupo de homens realizou um roubo no local e levou diversas joias da Coroa francesa em uma ação que durou aproximadamente oito minutos. As peças foram avaliadas em mais de US$ 100 milhões, o equivalente a cerca de R$ 500 milhões na cotação mencionada na reportagem.
O episódio expôs falhas de segurança e ampliou a pressão por mudanças na infraestrutura do museu. A preocupação é especialmente relevante diante do grande fluxo de visitantes: em 2025, o Louvre recebeu aproximadamente nove milhões de pessoas, consolidando sua posição como um dos principais destinos culturais e turísticos do planeta.
PLANO DE MODERNIZAÇÃO PREVÊ INVESTIMENTO MILIONÁRIO
Em declaração à Agência France-Presse (AFP), Christophe Leribault defendeu o projeto de renovação denominado “Louvre – Novo Renascimento”, apresentado pelo presidente francês Emmanuel Macron no início de 2025. Para o diretor, a iniciativa representa o caminho necessário para assegurar a continuidade das atividades do museu e melhorar as condições de segurança.
Leribault explicou que as intervenções não podem se limitar a mudanças superficiais. Segundo ele, será necessário realizar obras no edifício histórico e nas instalações de infraestrutura, com medidas capazes de atender às necessidades de proteção e funcionamento de um complexo que recebe milhões de visitantes anualmente.
“Precisamos de um grande plano para o Louvre. As operações indispensáveis para garantir a segurança do museu exigem obras no edifício histórico e nas infraestruturas. Não existe uma solução ‘superficial’, fácil e milagrosa”, afirmou o dirigente, que assumiu o cargo em fevereiro.
O projeto está estimado em um bilhão de euros, valor equivalente a aproximadamente R$ 5,6 bilhões. Entre as principais intervenções previstas estão a reforma do edifício e a construção de uma nova entrada, com o objetivo de modernizar o acesso e adequar a estrutura às necessidades atuais da instituição.
De acordo com o diretor, a execução do plano deverá ocorrer ao longo de 12 a 15 anos. A dimensão das obras e o período prolongado de implementação indicam que a modernização será um processo gradual, que exigirá planejamento e investimentos de longo prazo.
REFORMA PODE AUMENTAR O PREÇO DOS INGRESSOS
O custo elevado da renovação também levanta discussões sobre o financiamento das intervenções. Segundo Leribault, a execução do projeto poderá resultar em um aumento no preço dos ingressos do museu.
A eventual mudança na tarifa aparece como uma das possibilidades para ajudar a viabilizar os investimentos necessários. No entanto, o material divulgado não detalha qual seria o percentual de reajuste nem quando uma possível alteração nos valores poderia entrar em vigor.
A modernização do Louvre é considerada estratégica diante da importância histórica, artística e turística do espaço. O museu abriga um vasto acervo de obras de diferentes períodos e civilizações, além de receber visitantes de diversos países ao longo do ano.
Com o alerta sobre o risco de fechamento no longo prazo, o diretor reforça a necessidade de decisões estruturais para manter o funcionamento da instituição. A proposta busca conciliar a preservação do patrimônio histórico com a atualização da infraestrutura e o reforço da segurança.
O debate sobre o futuro do Louvre ganhou força após o roubo de outubro de 2025, mas, segundo Leribault, as necessidades do museu vão além da resposta a um episódio específico. A reforma pretende enfrentar problemas estruturais e preparar a instituição para continuar recebendo o público nas próximas décadas.
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