Flávio Bolsonaro chega ao segundo turno das eleições presidenciais em vantagem sobre Luiz Inácio Lula da Silva. O candidato recebeu 2,2 milhões de votos a mais que o petista no primeiro turno, diferença equivalente a 1,87 ponto percentual entre os eleitores que compareceram às urnas.
Além da vantagem nas urnas, Flávio também passou a ser percebido pelo sistema político como favorito neste momento. O candidato recebeu o apoio de Romeu Zema e Ronaldo Caiado, que disputaram a Presidência e foram derrotados no primeiro turno, mas já mantinham proximidade com o bolsonarismo.
O Centrão, especialmente setores do PP, União Brasil e Republicanos, que permaneceram neutros na primeira etapa da eleição, também formalizou apoio a Flávio. No cenário político, a expectativa de poder costuma influenciar alianças e movimentações partidárias.
Apesar da vantagem, as duas campanhas enfrentam desafios importantes. O primeiro deles é comum aos dois candidatos: mobilizar os eleitores para o segundo turno.
No primeiro turno, 33,4 milhões de eleitores não compareceram às urnas. O número é quase 19 vezes maior que a diferença de votos entre Flávio e Lula. Por isso, a taxa de abstenção pode ter papel decisivo no resultado final.
Em 2018, quando Jair Bolsonaro foi eleito presidente, a abstenção aumentou no segundo turno. Já em 2022, quando Lula e Jair Bolsonaro disputaram novamente a Presidência, houve uma redução na abstenção e um comparecimento ligeiramente maior dos eleitores.
Para Lula, um dos principais desafios está na organização interna da campanha e na presença digital, considerada inferior à de seu adversário. A equipe do petista já iniciou mudanças na estratégia de comunicação nas redes sociais.
Lula passou a publicar vídeos mais informais, incluindo gravações em formato de selfie. Em alguns dos primeiros conteúdos dessa nova fase, o candidato falou em primeira pessoa sobre a defesa do fim da escala 6 por 1, tema que está em discussão no Senado Federal.
A campanha também começou a estruturar uma força-tarefa digital, com a participação de jovens eleitos e influenciadores. Entre os nomes está Ana Elisa, deputada federal do PT mais votada, de 21 anos.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, enfrenta um desafio diferente. O PL, partido do candidato, conquistou a maior bancada na Câmara e no Senado e terá ampla força no Congresso Nacional.
Esse cenário alimenta preocupações entre analistas sobre uma possível concentração de poder, diante da possibilidade de o presidente contar com forte apoio parlamentar e ter menos obstáculos institucionais. Os chamados freios e contrapesos são considerados elementos importantes para o equilíbrio entre os poderes em uma democracia.
Outro ponto de atenção para a campanha de Flávio é o clima de “já ganhou”. A sensação de favoritismo pode deixar o candidato e seus aliados mais à vontade para fazer declarações que eventualmente afastem ou preocupem segmentos do eleitorado independente.
Dessa forma, apesar da vantagem conquistada no primeiro turno, Flávio Bolsonaro ainda terá de administrar o comportamento de seus apoiadores mais radicais e de lideranças políticas que fazem declarações contundentes durante a campanha.
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