Segunda, 24 de Agosto de 2026 22:32
(31) 9 9935-7849
Tecnologia SUSTENTABILIDADE

Projeto da UFMG transforma plástico descartado em tecnologia para combater a desertificação no semiárido mineiro

Pesquisa desenvolvida pelo CTNano utiliza nanotecnologia para reaproveitar resíduos plásticos na produção de um material capaz de reter água no solo, fortalecer a produção de própolis verde e reduzir impactos ambientais.

27/07/2026 09h28
Por: Redação Fonte: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig)
Projeto da UFMG transforma plástico descartado em tecnologia para combater a desertificação no semiárido mineiro

Pesquisadores do Centro de Tecnologia em Nanomateriais e Grafeno da Universidade Federal de Minas Gerais (CTNano/UFMG), unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) voltada para Materiais Avançados e Nanotecnologia, estão desenvolvendo uma tecnologia inovadora que une preservação ambiental, pesquisa científica e desenvolvimento sustentável no semiárido mineiro.

O projeto, denominado “Desenvolvimento nanotecnológico e sustentável de uma cadeia produtiva para o semiárido mineiro com base na comercialização de própolis verde”, busca dar um novo destino ao plástico descartado, transformando esse resíduo em um material de alta tecnologia capaz de aumentar a retenção de água no solo e contribuir para o combate aos processos de desertificação.

A iniciativa é coordenada pelo professor Geraldo Wilson Fernandes, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, e recebeu investimento de R$ 2,33 milhões da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). O objetivo é desenvolver uma nanoestrutura de carbono associada a um particulado sólido, formando um nanocompósito que melhora a capacidade do solo de armazenar água, favorecendo a recuperação de áreas degradadas.

Além dos benefícios ambientais, o projeto também pretende fortalecer a cadeia produtiva da própolis verde. Segundo o professor Luiz Orlando Ladeira, um dos pesquisadores envolvidos, a tecnologia será utilizada em testes para o cultivo do alecrim-do-campo em regiões rurais do Norte de Minas suscetíveis à desertificação. A expectativa é recuperar a fertilidade do solo e incentivar comunidades locais a investir na criação de abelhas para ampliar a produção de própolis verde. Os primeiros testes de campo devem começar ainda neste ano.

O estudo também chama atenção para os impactos provocados pelo descarte inadequado de embalagens plásticas, especialmente do PET. Quando descartado de forma incorreta, esse material contamina solos, rios e outros corpos d’água, prejudica animais terrestres e marinhos e favorece a disseminação de microplásticos no meio ambiente. Em aterros sanitários, o plástico pode permanecer entre 400 e 800 anos até sua decomposição completa.

Além dos danos ambientais, pesquisadores alertam que a presença de microplásticos na água e na cadeia alimentar pode representar riscos à saúde humana, dependendo dos compostos químicos presentes no material, podendo provocar alterações hormonais e metabólicas.

Os números sobre a produção mundial de plástico também reforçam a necessidade de soluções sustentáveis. Desde a década de 1950, estima-se que cerca de 8,3 bilhões de toneladas de plástico tenham sido produzidas no mundo. Desse total, apenas 9% foram recicladas. Mantido o ritmo atual de produção e descarte, especialistas estimam que até 2050 o meio ambiente poderá acumular pelo menos mais 12 bilhões de toneladas desse material.

Referência nacional em nanotecnologia, o CTNano/UFMG foi pioneiro no Brasil na síntese de nanotubos de carbono e, ao longo dos anos, ampliou sua atuação para o desenvolvimento de diversos nanomateriais em escala piloto. Atualmente, o centro reúne especialistas de áreas como física, química, biologia e engenharias, acumulando mais de 40 patentes depositadas, centenas de artigos científicos publicados, diversos projetos de pesquisa e desenvolvimento e uma equipe com mais de 150 colaboradores.

A unidade Embrapii da UFMG dedicada a materiais avançados e nanotecnologia também mantém parcerias com empresas de grande porte, entre elas Petrobras, Vale, Gerdau, Suzano e InterCement, reforçando o papel da pesquisa científica na criação de soluções inovadoras para os desafios ambientais e tecnológicos do país.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários