O fim da chamada “taxa das blusinhas” já começa a gerar impactos no comércio brasileiro. Desde maio, compras internacionais de até US$ 50 deixaram de pagar o imposto de importação após uma medida provisória publicada pelo governo federal.
Segundo a Receita Federal, o número de encomendas vindas do exterior aumentou após a mudança na cobrança. O crescimento das importações acendeu um alerta entre representantes da indústria e do comércio, que apontam possíveis impactos como perda de competitividade das empresas nacionais, redução nas vendas, menor volume de investimentos e reflexos no mercado de trabalho.
Para o analista de economia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Pedro Fernandes, a medida aumenta a diferença entre os custos da produção brasileira e dos produtos importados.
“As empresas brasileiras têm um custo de trabalho muito maior do que as empresas chinesas, que não precisam arcar com os mesmos sistemas de proteção social. Além disso, o produtor brasileiro enfrenta elevados custos logísticos. Como competir se ainda existe uma isenção adicional para os produtos importados?”, questionou.
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio-MG) também acompanha os efeitos da medida e defende que empresas brasileiras e plataformas internacionais tenham as mesmas regras tributárias.
Segundo o presidente do Sistema Fecomércio MG, Sesc e Senac, Nadim Donato, a diferença na tributação favorece as compras realizadas no exterior.
“O consumidor busca o melhor produto pelo menor preço. Quando encontra um produto importado praticamente sem imposto de importação, o comércio brasileiro perde competitividade. Não há como concorrer em igualdade de condições”, afirmou.
Enquanto empresários demonstram preocupação com os impactos da mudança, muitos consumidores avaliam a medida de forma positiva. Com preços mais baixos, plataformas internacionais voltaram a ganhar espaço nas compras dos brasileiros.
A operadora de loja Ana Flávia Torrentino afirma que utiliza os sites principalmente para comprar produtos para os filhos.
“Eu gosto de comprar mais coisas para os meus filhos do que para mim”, relatou.
A técnica de enfermagem Daniela conta que compra roupas e outros produtos em plataformas como Shopee, Shein e AliExpress. Já o motorista Diego Henrique afirma que a esposa é quem mais aproveita os preços.
“Quase todo dia chega uma encomenda lá em casa. Ela diz que compensa mais e ainda tem a comodidade de receber em casa”, contou.
O governo federal acompanha os efeitos do aumento das importações e avalia os próximos passos. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a equipe econômica monitora os dados e não descarta sugerir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a retomada da cobrança do imposto caso sejam identificados prejuízos à produção nacional.
A suspensão da chamada “taxa das blusinhas” ocorreu por meio de uma medida provisória. A norma já está em vigor, mas ainda precisa ser analisada e aprovada pelo Congresso Nacional para permanecer válida após o prazo de 120 dias.
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