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Estudo aponta que 83% das mulheres que tiveram gravidez precoce já perderam emprego ou oportunidades profissionais

Pesquisa da Plan Brasil mostra que gestação na infância e adolescência amplia desigualdades na educação, no trabalho, na renda e no acesso a direitos.

31/07/2026 13h38
Por: Redação Fonte: Agências de Notícias
Estudo aponta que 83% das mulheres que tiveram gravidez precoce já perderam emprego ou oportunidades profissionais

Um estudo da Plan Brasil revelou que 83% das mulheres que engravidaram na infância ou adolescência já precisaram deixar um emprego ou perderam oportunidades profissionais por causa dos cuidados com os filhos.

A pesquisa "Marcas do Tempo: Gravidez na Infância ou Adolescência e seus Impactos na Vida de Mulheres no Brasil" ouviu mais de 1,5 mil mulheres entre 19 e 29 anos em todas as regiões do país e comparou a trajetória de quem passou por uma gravidez precoce com a de jovens que não viveram essa experiência.

Segundo o levantamento, mesmo quando possuem condições sociais semelhantes, as mulheres que engravidaram antes da vida adulta enfrentam maiores dificuldades na educação, no mercado de trabalho, na renda, na saúde e no exercício de seus direitos.

Impactos começam na educação

O estudo mostra que jovens que tiveram gravidez precoce apresentam 24 pontos percentuais a mais de chance de não estarem estudando e 21 pontos percentuais a mais de não concluírem o Ensino Médio.

O abandono escolar também é significativamente maior. Enquanto 61% das jovens que engravidaram deixaram os estudos, entre aquelas que não passaram pela experiência o índice é de 33%.

Segundo a CEO da Plan Brasil, Cynthia Betti, a gravidez precoce intensifica desigualdades que muitas vezes já existiam.

"A gravidez na infância ou adolescência é um ponto de inflexão que aprofunda desigualdades que já existiam antes mesmo da gestação", afirmou.

Planos interrompidos

Além dos dados estatísticos, a pesquisa reuniu relatos de mulheres que tiveram sonhos interrompidos após a gravidez.

Uma das entrevistadas contou que se preparava para disputar um campeonato brasileiro de atletismo quando descobriu que estava grávida ainda na adolescência.

Segundo ela, a sensação foi de que todos os seus planos de vida terminaram naquele momento.

Para a Plan Brasil, muitas dessas jovens deixam de escolher seus próprios caminhos justamente na fase em que mais precisariam de autonomia para construir o futuro.

Violação de direitos e discriminação

O levantamento também identificou relatos de violência obstétrica, imposição de métodos contraceptivos sem consentimento e dificuldades no acesso aos direitos sexuais e reprodutivos.

Entre as jovens que engravidaram antes dos 14 anos, metade informou não ter recebido orientação sobre a possibilidade de interrupção legal da gestação, prevista pela legislação brasileira nos casos de estupro de vulnerável.

A discriminação também aparece como um problema recorrente. Segundo a pesquisa, 73% das mulheres afirmaram já ter sofrido preconceito por causa da gravidez, seja na escola, na família, em serviços de saúde ou durante entrevistas de emprego.

Recomendações

A Plan Brasil defende a ampliação de políticas públicas voltadas à prevenção da gravidez precoce, incluindo educação sexual baseada em direitos, acesso facilitado a métodos contraceptivos, combate à violência obstétrica, ampliação de vagas em creches e programas de inserção de jovens mães no mercado de trabalho.

Segundo a entidade, o objetivo é garantir que meninas e adolescentes tenham seus direitos preservados antes, durante e após a gravidez.

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