A busca por suplementos para melhorar a pele e fortalecer cabelos e unhas ganhou força nas redes sociais. No entanto, o consumo de vitaminas, minerais e colágeno nem sempre apresenta os resultados prometidos.
Segundo o biomédico e mestre em Medicina Estética Thiago Martins, o primeiro passo antes de iniciar uma suplementação é identificar se existe alguma deficiência ou condição que justifique o uso.
Deficiências de ferro, zinco e determinadas vitaminas, além da baixa ingestão de proteínas, dietas muito restritivas e algumas doenças, podem provocar alterações na pele, nos cabelos e nas unhas.
O colágeno está entre os suplementos mais procurados para a saúde da pele. Porém, quando ingerido, ele não vai diretamente para a pele: é digerido pelo organismo em aminoácidos e pequenos peptídeos.
De acordo com Martins, alguns estudos indicam que determinados peptídeos de colágeno hidrolisado podem melhorar discretamente a hidratação e a elasticidade da pele. Ainda assim, os resultados devem ser interpretados com cautela.
O especialista também alerta que a suplementação não substitui medidas com evidências mais consistentes para a prevenção do envelhecimento, como a fotoproteção diária.
A biotina, bastante utilizada contra a queda de cabelo e unhas frágeis, também exige atenção. A deficiência da vitamina é considerada incomum e, para pessoas que não apresentam deficiência, as evidências sobre os benefícios de altas doses para os cabelos são limitadas.
Além disso, doses elevadas de biotina podem interferir em resultados de exames laboratoriais, inclusive hormonais e marcadores utilizados na avaliação cardíaca.
Ferro, zinco, vitamina D e vitamina B12 também não devem ser tratados como soluções universais para queda de cabelo ou unhas frágeis. Esses nutrientes podem ser importantes quando existe uma necessidade específica, mas o excesso de determinados nutrientes também pode causar prejuízos.
Segundo Martins, duas pessoas com a mesma queixa de queda de cabelo podem ter causas completamente diferentes. Entre as possibilidades estão eflúvio telógeno, alopecia androgenética, alterações hormonais, uso de medicamentos, doenças e deficiências nutricionais.
Além da suplementação, hábitos mantidos ao longo do tempo também são importantes para a saúde da pele, dos cabelos e das unhas. Fotoproteção diária, alimentação equilibrada, ingestão adequada de proteínas e nutrientes, sono de qualidade, atividade física e não fumar estão entre as principais medidas.
A recomendação é que suplementos sejam utilizados quando houver indicação específica, e não como uma solução universal. Identificar a causa do problema e manter hábitos saudáveis a longo prazo continua sendo fundamental.
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